Minha Jornada Capilar – Luana Nazareth

Olá, ser encrespado!

Me vi tão animada com a criação do Blog e redes sociais que acabei não falando um pouco sobre mim e sobre a minha jornada capilar  (suspiros)… Não sei nem por onde começar! Rs*

Bom, vou começar dizendo sobre minhas raízes. Nasci em 1989, em Brasília, nossa capital futurista. Filha de uma Goiana e um Carioca, Naza veio ao mundo sem saber da looonga jornada com seu crespinho.

IMG_2802

Que fofura essa menina!

Minha mãe, acredito que pelo fato não ter o cabelo crespo e nem saber como “dominar a arte de cuidar de um crespinho” costumava penteá-lo seco e eu, por ter um cabelo muito fino e uma cabeça cabeluda sofriiiiiia demais: ela acabara de desembaraçar um lado, embaraçava o outro. Cansada, mamy poderosa juntava tudo em um rabo de cavalo bem alto e me deixava brincar.

IMG_2803

Gatinha da praia.

Eu comecei a fazer aulas de Ballet em 94, já com 5 anos de idade. A partir daí eu já não me lembro muito sobre os cuidados do meu cabelo. Eu sei que eu vivia com ele preso. Com 7 eu fui para uma escola de ballet profissional, pois tinha o sonho de me tornar uma bailarina e aí que o cabelo não saía do coque mesmo. Com a pouquíssima experiência em termos de cuidados com o cabelo o mais ‘prático’ naquele momento era o alisamento. Eu nem lembro ao certo com quantos anos isso começou. 🙁

O tempo foi passando e, durante a adolescência eu já estava trabalhando como assistente das professoras de ballet para ajudar com os custos de fantasias e sapatilhas, então juntando o tempo da escola, aulas de inglês e ballet, aí que eu não tinha tempo mesmo para cuidar do meu cabelo. Foi aí que os alisamentos ficaram bem mais constantes. Eu pedia a Deus para a raiz não crescer e acabar com todo o aspecto de liso que o cabelo tinha.

Mas como não tínhamos muito dinheiro para tratamentos e alisamentos todos os meses, esta foi a pior fase pra mim em termos de auto-estima e bullying (falei um pouco sobre isso em uma matéria para a UOL Educação, onde fui intrevistada sobre o Bullying. Confira, clicando aqui). Eu morava em uma das cidades mais quentes desse Brasil, não tinha chapinha que aguentava o suor. A pressão para manter meu cabelo alisado eram muitas.

 

247852_233832429965203_8073947_n

Durante o trabalho, o cabelo era preso no coque por muitas horas.

62702_106923006037374_7740035_n

Mas fora do trabalho também. Porque tanta vergonha do cabelo, gente?

 

Foi até difícil achar uma foto em que eu não estava com o cabelo preso em um coque. Eu era extremamente complexada com o meu cabelo. Eu tinha muita raiva dele, muita vergonha de ser exposta a algum tipo de discriminação por conta dele. Para sair com amigos eu passava umas 3 horas (sem brincadeira) na frente de um espelho passando chapinha no coitado do cabelo.

IMG_5698

Meu Deus! Eu nem me reconheço.

 

Acho que essa foi a época mais sofrida de todas porque eu era um caos emocional. No Ballet, a pressão pela ‘perfeição’ era constante e eu já estava sem saúde mental para lidar com tudo isso. Foi quando meu pai – separado da minha mãe desde os meus 4 anos, me chamou para morar com ele em São Paulo. Eu já estava farta da luta pela aparência perfeita em Brasília e me desbravei na cidade que eu adorava visitar nas férias. Peguei minhas coisas e vim para a ‘Selva de Pedra’ em 2010.

Morar em Sampa é libertador, pelo menos para mim. São muitas pessoas, de diferentes estilos, com histórias diferentes e muita, muita correria. Eu era só mais uma na multidão dessa cidade que amo demais! <3

Foi aí que eu comecei a me preocupar menos com estereótipos e padrões impostos pela nossa sociedade. Foi aí que a Luana começou a correr atrás do seu “Eu Natural”. Foi aí que eu entrei na minha primeira transição capilar. Primeira? Sim, eu conto já já.

 

180065_202540663094380_6150421_n

Parecia em paz por dentro, mas a transição é difícil pra burro se sua mente não está preparada para ‘abraçar’ sua naturalidade.

Eu deixei meu cabelo crescer, crescer e crescer e, durante quase um ano eu não recorri a nenhum método de alisamento ou relaxamento. Mas minha mente não me deixava ver a transformação que me aguardava, então recorri ao relaxamento da raiz com Guanidina para tentar, pelo menos, deixar o cabelo com cachos maiores, com uma textura menos volumosa. Então, sem perceber, voltei a fazer o que fazia quando adolescente, só que sem a progressiva e chapinha.

A grande verdade é que eu não sabia mesmo cuidar dos meus cabelos. Não mesmo. Então para mim era muito mais fácil crer que o relaxamento ajudaria a me manter fiel às minhas raízes do que voltar pro ciclo progressiva\chapinha\progressiva.

O ruim é que nenhum cabeleireiro que eu visitava conseguia deixar os cachos mais soltos e aí eu ia perdendo tudo, e aí minha auto-estima foi indo mais e mais pra baixo.

 

180759_197942410220872_6603944_n

Tá vendo esse tanto de cabelo liso com aluns cachinhos? Isso me deixava mal por dentro.

 

Depois de ir de salão em salão atrás de alguém que pudesse me ajudar, eu já estava farta e sem auto-estima alguma. Descontava tudo na coitada da comida, a ansiedade tomou conta de mim. Eu precisava dar ‘um jeito’ no meu cabelo. Foi quando em 2012 eu conheci um salão que se dizia especialistas em cabelo afro. Nessa época, este salão só existia no Rio de Janeiro e também haviam caravanas de crespas como eu que viajavam a madrugada toda para entrar em uma fila quilométrica às 6h da manhã e pegar uma senha para ser atendida apenas após o almoço.

Era sofrido, mas adiantou muito o meu lado. Bom, pelo menos eu me sentia assim. O salão vendia um cabelo cacheado, com movimento e sem volume. Aí juntou a minha fome com a vontade de comer e eu fiz isso de viajar a cada 3 meses para o Rio na madrugada para me submeter ao relaxamento deles. Eles lá no salão não falam que é um relaxamento e o tipo de química que colocam no seu cabelo, mas eu só me dei conta disso depois de 3 anos (TRÊS malditos ANOS) me submetendo a este pequeno trauma: chegar cedo, pegar senha; separam seu cabelo a seco e machucam seu couro cabeludo; passam o relaxante (que arde no couro cabeludo, depois de dividir o cabelo), finalizam e depois de um mês começava tudo de novo.

2013

Sem volume e com balanço. Era tudo que eu pensava que meu cabelo deveria ser.

Foi totalmente frustrante me ver presa novamente em algo que já sentia repulsa.Eu saí da ditadura dos cabelos lisos para entrar na ditadura dos ‘cachos perfeitos’. Eu queria ter algo que não pertencia, justamente por se empurrada por modelos irreais para mim. Para muitas mulheres como eu. E foi aí que eu entrei na segunda transição capilar. E essa foi bem real.

2016 1

Empoderada e livre para aceitar o cabelo que nasceu em mim! 🙂

O cabelo, com o tempo de relaxamento, ficou elástico, muito quebradiço… Eu não aguentava aquilo na minha cabeça. Aquilo não era o meu cabelo! Foi a partir daí que comecei a pesquisar muito sobre metodologias menos invasivas para cuidar do crespo, como Low e No Poo e receitas com ingredientes naturais. Depois de muita pesquisa, ‘chuva’ de auto-estima e empoderamento, realizei no dia 03 de Fevereiro de 2016 eu fiz o meu Big Chop (onde se tira toda a parte com química do cabelo. Corta tudinho!).

 

BigChop

Tirei um peso das minhas costas. O peso de não me reconhecer.

Hoje, 3 meses após o BC eu sou uma pessoa melhor, para mim e para o mundo. E é por isso que eu criei o Canal da Crespa: para espalhar amor próprio e empoderamento para o maior número de pessoas que eu encontrar na vida! Devolver um pouco de amor a auto-estima para o mundo. Vivemos presos à caixinhas de ‘padrões’ irreais e, quando saímos de dentro dela é libertador demais. Espero que minha jornada inspire muitas outras Crespas e Crespos a assumirem o seu “Eu Natural” e entendam a importância de serem livres para escolherem o que querem, sem medo de ser feliz.

Eu jamais direi que não alisarei meu cabelo novamente. Mas hoje eu digo que sou livre para ser o que eu quiser ser e espero de coração que todas as manas crespas (lisas ou não) se sintam assim também.

 

UFA! Esse foi textão mesmo! 😛

 

E você? Está na transição capilar ou já passou por ela? Me conta da sua jornada?! Basta me mandar um e-mail que eu compartilho aqui também. Assim a gente inspira mais e mais Crespos e Crespas a serem livres e empoderados!

 

Beijo na alma!

-Naza

Você também pode gostar