Transição Capilar: por onde começo?

A transição capilar é a fase da mais importante da vida da crespa, pois muitos de nós não sabemos nem como é a textura dos nossos cabelos e é aí que despertamos para o nosso “Eu Natural”.

Para quem ainda não passou por essa fase e deseja entrar na transição para conhecer o seu “Eu Natural”, é necessário ter em mente algumas coisinhas. Como eu não “ouvi” nenhuma dessas dicas acho importante compartilhar, para que a transição para você, cara(o) leitora(o) seja da maneira mais empoderada e livre possível!

 

Ana Lidia Lopes

Transição Ana Lidia Lopes. Foto: Capricho

  1. Expectativas quanto ao seu cabelo.

Você já não cansou de ver tantos blogs e vlogs e instagrams de manas com seus cachos lindos, ao vento, super-definidos e zero frizz?! Lindas né?!

Intencionalmente ou não, muitas dessas pessoas nos fazem acreditar que somente aquele tipo de cabelo é que é o mais lindo, mais bem quisto e o único que existe. É uma pena que as pessoas se sintam assim!

As pessoas em transição devem ter em mente que nosso cabelo pode não ser igual ao da vlogueira famosa, ou daquele Insta que só postam cabelos hiper-definidos. Isto tudo é uma grande ilusão. Vivemos em um mundo muito diverso, com vários tipos de cabelo e várias texturas diferentes. É importante que os crespos e crespas tenham em mente que devem “abraçar” o cabelo que crescer em sua própria cabeça, o tornando tão único é tão especial quanto qualquer outro cabelo crespo/cacheado! Isso é amor próprio! <3

 

  1. Se inspire!

Busque por inspirações na Internet. Procure por histórias de vida de meninos ou meninas que tenham passado pelo mesmo problema que você. Isto me ajudou tanto… Eu fiquei parada, totalmente congelada em perfis que não se encaixavam com o meu e eu sofri uma certa resistência ao ver que o meu cabelo era diferente daquelas pessoas que eu seguia. Isto faz um mal danado! Liberte-se da opressão pelo cabelo liso, mas não se deixe levar pela ditadura dos cachos perfeitos. Nada é perfeito, tudo é lindo! Abrace o seu ‘Eu Natural’ e seja feliz com qualquer tipo de cabelo.

 

  1. Qual a textura do meu cabelo?!

Gente do céu! Isso gera uma ansiedade danada, né? “Poxa, já estou há um tempão na minha transição, será que meu cabelo vai ter essa textura mesmo?” “Qual o tipo do meu cabelo, gente?!”

Alguém aí já falou ou já viu em algum grupo esse tipo de pergunta? Isso é suuuuuper normal e te digo aqui e agora o porquê não devemos dar tanta importância para isto:

  • Seu cabelo na infância era igualzinho ao cabelo da adolescência? E antes dos prováveis alisadores e químicas arrasadoras, seu cabelo era igual sempre? Porque é que você acha que seu cabelo será ainda igual depois de crescida? Nosso cabelo passa por tanta transição por si só que é difícil saber como ele será enquanto está apenas no começo da transição pós-química. Então respira fundo e tenha paciência! 1, 2, 3… Repita! 1, 2, 3… Repita!
  • Falando em mudanças, depois que você se decide ir ao cabelereiro e rancar fora toda a química das pontas (o tal do Big Chop [BC]!), você acredita que ainda podemos passar para por mais mudanças no cabelo? SIM!!! Nosso cabelo pode mudar de formato depois do BC, principalmente por conta do cabelo ainda sofrido de químicas e machucado. É conhecido como scab hair e tem solução, não se preocupe (taí mais um assunto para os próximos capítulos cabelísticos)!

Transição da Luana

Apenas depois de crescido e curado você poderá saber realmente qual o seu tipo de cabelo. E ele pode ter mais de um tipo de textura, acredita? “E para que saber o tipo de cabelo, Naza?!” Sim, este também será assunto para um próximo post! Hahaha. Enquanto isto, cultive o seu crespo do jeito que ele vier, sem medo de ser feliz! 🙂

 

  1. Pessoas e seus padrões (essa dói!) 😛

Bom, essa dica foi bem fácil para mim. Até porque eu não sou de dar brecha para a opinião alheia. Mas já sofri muito antes de fazer a tal da transição, então ganhei “casca” com o tempo.

As pessoas não nascem com chips programados para gostarem das coisas. Isto vem com o crescimento e amadurecimento. Como a indústria costuma vender belezas irreais (as coisas e pessoas perfeitas já faladas anteriormente), as pessoas em geral acabam não aceitando bem as mudanças e quebras de “padrões”. Então pensa comigo: depois de anos e mais anos sendo consumidoras de um produto que alisa os fios do cabelo, nem você mesma sabe como é o seu cabelo e suas texturas, resolve PÁ: raspar o cabelo!!! Xii, isso aí já vai dar um pano pra manga: há quem imagine que você está doente e por isso raspou o cabelo (oi?) ou que enlouqueceu de vez, isso já de cara! Sem nem parar pra pensar. Se imagine nessa situação também, o que você faria?

Pessoas passam anos – ou até a vida inteira, dentro de caixinhas. Caixinhas estas que eu dou o nome de “Padrões Irreais” e que não só são resistentes à qualquer mudança ao seu redor como também falam sem pensar (já imaginou àquela pessoa na sua vida?). E essas pessoas encaixotadas estão mais próximas do que a gente imagina: num olhar de rabo de olho daquele colega do trabalho, daquela risadinha de uma dupla de encaixotados na rua, ou até dentro de nossas casas.

E esse tipo de reação exagerada e muitas vezes maluca dói! Nossa, como dói!!! 🙁

É nessa hora em que nos sensibilizamos e apoiamos os manos e manas que passam pela transição e elas também nos dão forças para seguir com ela (transição). É por isso que eu disse na dica 2: procure pessoas que tenham uma realidade parecida com a sua, ajuda sofrer bem menos com esse tipo de gente e dá uma elevada monstruosa na sua auto-estima!

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Se ajudem, manas!!!

Se blindar dessas pessoas faz parte do processo de transição. Tenha calma, a gente aprende rapidinho a criar “casca” pra aguentar qualquer coisa. Transição capilar é mudança de vida!!!

 

  1. Não entre em caixinhas!

Como já disse anteriormente (tô parecendo um disco arranhado na vitrola), não saia de uma ditadura para entrar em outra! Tenha ciência de que você quer entrar na transição para conhecer você e não somente para ter o cabelo crespo. Isso não é moda! É essência, é negritude, é raiz, é resistência e deve ser respeitado!

Seja ele de qualquer tipo, curtinho ou raspado, bem crespo ou ondulado, o que vale é a Jornada e o auto-conhecimento adquiridos ao fim. E vale a pena! Entrar no processo de transição é muito mais sobre você conhecer a ti próprio do que ter cabelo crespo/cacheado por si só. É se encher de poder e se sentir livre para ser o que quiser. Lisa ou crespa, você é dona do seu nariz!

Beijos de luz,

-Naza

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